Homens caixa

Nesse fim de semana tive vivências de arteterapia unidas à musicoterapia e à dançaterapia, sendo a segunda ligada às danças xamânicas. Só tenho uma palavra para definir: maravilhoso.

Uma coisa muito bacana foi dita por Samuel (já tinha ouvido, mas nesse fim de semana fez mais sentido ainda) que é o conceito dos homens-caixa, claro, somos nós! Isso tudo palavras de um indígena…

Os homens brancos são os homens-caixa, vivem em casas que parecem caixas, trabalham em caixas e se locomovem de um lugar ao outro em caixas… esquecemos assim de nossa conexão com o cosmos, vivendo apenas nesse mundo quadrado e sem vida. Tudo é quadrado, tudo são caixas… nosso movimento é rápido e quadrado, não vemos mais as pessoas, somente nos reconhecemos pela imagem física, sem encontrar-nos no outro.

Todas as vivências que fizemos, sentir o bater do pandeiro (no meu caso) na musicoterapia, brincar com os instrumentos, com a voz, foi de muita valia. Na dançaterapia, o contato que tivemos com todo o grupo, a forma como os conteúdos foram passados, sempre com muito bom humor, foi incrível.

Vimos também as 3 formas de adoecer para os indígenas, e o que me marcou é a pior de todas, aquela que leva o pedaço da alma, de tanto insistirmos em alguma coisa, seja trabalho, relacionamento, acabamos deixando pedaços de nossa alma naqueles lugares, e de tanto deixá-los, adoecemos… Eu acredito que boa parte das doenças que temos são de fundo psicossomático, o que tenho visto cada vez mais em minhas leituras. Não basta tentar curar somente o corpo, se a alma está toda quebrada, com partes em inúmeros lugares.

O conhecimento de ciência que temos hoje infelizmente é aquele positivista do século XIX, que separou a ciência de todas as outras formas de terapia e cura, inclusive aqui posso citar que o conhecimento filosófico foi substituído pela razão, o pensamento materialista. E, cito inclusive a cisão da astrologia com a astronomia, da ciência e da espiritualidade… Ainda bem que isso tem mudado.

Recebi esse texto da amiga Carol da arteterapia e acho que vale a pena compartilhar e refletir:

CARTA DO CHEFE SEATTLE

Esta carta é um dos mais importantes documentos escritos que ilustram toda a sabedoria e refinamento da concepção de Mãe Terra dos povos indígenas norte-americanos.

 

 

“O Presidente, em Washington, informa que deseja comprar nossa terra. Mas como é possível comprar ou vender o céu, ou a terra? A idéia nos é estranha. Se não possuímos o frescor do ar e a vivacidade da água, como vocês poderão comprá-los? Cada parte desta terra é sagrada para meu povo. Cada arbusto brilhante do pinheiro, cada porção de praia, cada bruma na floresta escura, cada inseto que zune. Todos são sagrados na memória de meu povo.

Conhecemos a seiva que circula nas árvores, como conhecemos o sangue que circula em nossas veias. Somos parte da terra, e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs. O urso, o gamo, e a grande águia são nossos irmãos. O topo das montanhas, o húmus das campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, pertencem todos a mesma família. Ensinarão vocês as suas crianças o que ensinamos às nossas? Que a terra é nossa mãe? Que o que acontece a terra acontece a todos os filhos da terra?

O que sabemos é isto: a terra não pertence ao homem, o homem pertence a terra. Todas as coisas estão ligadas, assim como o sangue nos une a todos. O homem não teceu a rede da vida, é apenas um dos fios dela. O que quer que ele faça à rede, fará a si mesmo. Amamos esta terra como o recém nascido ama as batidas do coração da mãe. Assim, se lhes vendermos esta terra, amem-na como a temos amado. Cuidem dela como temos cuidado. Preservem a terra para todas as crianças e amem-na. Assim como somos parte da terra, vocês também são parte da terra. Esta terra é preciosa para nós, também é preciosa para vocês. Uma coisa sabemos: existe apenas um deus. Nenhum homem, vermelho ou branco, pode viver à parte. Afinal, somos irmãos“.

Chefe Seattle

Descanso merecido… Até.

 

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