Na espera de um casting…

Hoje estava eu fazendo algo que é fora do comum ultimamente, um teste para publicidade… (Pra quem não sabe, já fiz uns poucos comerciais e fotos) Algo fora do comum porque digamos que meu perfil mudou, aumentou um pouco, rs.

Estava esperando e resolvi pegar uma “vejinha” que tinha lá, não vi nem de quando era; além da matéria sobre a moda retrô, o que me chamou a atenção foi uma matéria sobre os aspirantes a comissários de bordo, coisa que também já fui (pois é, rs). A matéria falava sobre a famosa sobrevivência na selva, assunto que acho que todo mundo fica curioso, pois quando fiz a record gravou e ainda é falado…

Além de mostrar os perrengues todos que passamos durante esse processo, a reportagem trazia algo que achei que já tivesse acabado nas escolas: matar uma galinha pra comer. Ok, eu não sou nenhuma ativista vegan, mas sou a favor da não crueldade com os bichinhos, e fiquei bem pensando na ênfase que a revista dava a fome dos pobres estudantes que ficaram 14 horas na sobrevivência e voltariam para a casa depois, sujos e cansados…

Tudo isso se reportava a uma escola, que não foi a que estudei, e o que li era o seguinte: o instrutor tinha escolhido a moça que escolheu a profissão pelo glamour (?), para ser a pessoa que degolaria a tal galinha. Chorando a menina pergunta: “mas coitada, preciso fazer isso mesmo?” E a regra é clara: se ela não matar a galinha, todo o grupo perde um ponto, e se perderem cinco pontos, adeus sobrevivência e adeus 300 reais investidos nessa fase. Não li toda a matéria, pois logo fui chamada, não sei se a galinha foi morta por ela ou não.

E aí fui embora pensando nisso, que absurdo é esse de matar um bicho, amarrado de ponta cabeça em uma árvore, sem defesa alguma, pra “comer” (porque duvido que tenham coragem de comer toda a carne), com a desculpa que é prova de sobrevivência na selva??

Primeiro, seria mais honesto caçar a tal galinha em questão, afinal se o avião fizer pouso forçado não teremos “pés de galinhas” por toda a parte. Segundo, ninguém morre de fome em catorze horas, como a revista fez todo o drama, terceiro, quem tem fome de verdade come capim, folha de árvore, se vira.

Lembro-me que quando fiz a sobrevivência, ficamos 3 dias, os mais frios daquele ano, lá nos idos de 2004 (senhor, faz tempo… rs). E não tivemos tanta fome pra colher galinha diretamente do pé. O que nos foi oferecido foi 2 batatas e uma cenoura, se não me engano, para 80 pessoas e água do rio para fazermos uma sopinha bem gostosa, cheia de areia… Todo mundo tomou um ou dois copos, comeu frutas estranhas da árvore e o que parecia comestível diretamente da natureza. Ninguém morreu, e algumas pessoas estão na aviação do mesmo jeito. Aprendemos muito, fizemos sobrevivência no mar naquele frio, aprendemos a nos localizar, a montar barracas com saco plástico, a fazer resgate, cuidar de ferimentos, etc etc etc… Sem crueldade com bichinhos.

Não é preciso escolher a mocinha mais delicada da turma pra fazer esse serviço sujo e mesquinho de ser humano egoísta para ser um bom profissional.

Se isso ocorresse comigo, certeza que a turma iria perder os tais pontos, e se outro matasse, eu perderia mais pontos, porque não comeria. E nem por isso a escola poderia tirar meu certificado.

Até quando o ser humano vai ser mesquinho e patético? Até quando vamos expor animais a situações como essa, só pra provar que somos “fortes”?

Deixo aqui minha repulsa a essa instituição que diz formar profissionais capacitados, mas utiliza-se de meios nada humanos para isso.

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